sábado, 5 de novembro de 2016

O Vale dos Ossos Secos


As nações saberão que
eu sou o Senhor que santifico a Israel,
quando estiver o meu santuário no meio deles
para sempre

Ezequiel 37:28


Ezequiel, considerado como um dos grandes profetas de Israel, era da linha de sacerdotes daquele povo, mas foi levado ao cativeiro por ordem do rei caldeu Nabucodonosor, e foi morar com os israelitas exilados que residiam junto ao rio Quebar, afluente do rio Eufrates, num povoado chamado Tel-Abibe, em 597 AC. Ele nos dá a data das suas profecias a partir dessa ocasião, assim calculamos que foram proferidas durante 22 anos, de 593 a 571 AC.  
A profecia do capítulo 37 do seu livro na Bíblia diz respeito ao reavivamento do povo de Israel, que se dará antes do milênio, onde vemos a ação do Espírito Santo para a transformação de um remanescente sem vida espiritual desse povo, a fim de que, reunido e vivificado, possa novamente tomar a sua posição como o povo de Deus na terra.
Ezequiel conta que “a mão do Senhor estava sobre ele”, o que entendemos como um estado de êxtase profético em que ele fala em plena consciência, mas sob total controle do Espírito Santo. Ele usa essa expressão várias vezes como sinal de visão profética. Nesta revelação ele foi transportado, não fisicamente, mas em visão “para o meio do vale”, referindo-se a um vale já especificado no capítulo 3:22, para onde fora transportado pela mão do Senhor em outra visão profética, onde viu a Glória de Deus (capítulo 3:22).  O vale agora estava cheio de ossos secos.
Esta é  uma figura profética do estado espiritual de morte simbólica em que estão os israelitas. Nada tem a ver com gentios, ressurreição dos mortos, nem conversão de pecadores em geral ou particular, mas a profecia ilustra a restauração de Israel como o povo de Deus no mundo.
Ezequiel verificou que os ossos eram muito numerosos, todos espalhados pelo vale e estavam sequíssimos. O Senhor lhe perguntou se os ossos poderiam viver, mas Ezequiel respondeu sábia e humildemente “Senhor Deus, tu o sabes”. Deus é o Todo-Poderoso. Então o Senhor mandou que Ezequiel profetizasse sobre os ossos. Eles podiam ouvir, e Ezequiel comandou que ouvissem a Palavra do Senhor.
A Palavra do Senhor era uma promessa ao povo de Israel, representado pelos ossos secos, declarando: “Eis que vou fazer entrar em vós o fôlego da vida, e vivereis” - é uma afirmação surpreendente feita a ossos secos, totalmente incapazes até mesmo de respirar. Faltavam-lhes essencialmente os órgãos vitais para que isso fosse possível. O Senhor prosseguiu, informando: “porei nervos sobre vós, e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o fôlego da vida, e vivereis. Então sabereis que eu sou o Senhor.
Temos aqui quatro estágios da restauração de Israel, seguindo uma progressão natural. Não é uma ressurreição, pois esta é sempre instantânea. Essa restauração resultará em vida como nação, e saberão que Ele é o Senhor.
Nesta visão ambos os rejuntamentos do povo de Israel de que a Bíblia fala estão unidos de forma simbólica. O primeiro será quando os israelitas do mundo todo se rejuntarão em descrença em preparação para o julgamento da Grande Tribulação. Este será seguido por um segundo rejuntamento em fé preparando-se para a bênção do Reino Messiânico milenar. Estes poucos versículos sumarizam e descrevem brevemente os dois rejuntamentos, pois são indispensáveis entre si.
O primeiro rejuntamento é descrito nos versículos 7 a 10. No versículo 7 Ezequiel informa que profetizou como lhe foi ordenado, e duas coisas aconteceram: houve um ruído e um reboliço.  Em hebraico a palavra traduzida como “ruído” significa “som” ou “voz’, e a palavra traduzida “reboliço” significa “tremor” ou “estremecimento”.
De repente, então, houve um som ou voz seguido de um tremor ou estremecimento da terra. Isto deu início aos quatro primeiros passos da restauração: ajuntamento dos ossos de cada pessoa, colocação dos nervos, crescimento da carne e cobertura de pele. Faltou ainda o fôlego da vida. 
É a descrição de um estado ainda não regenerado. Entendemos que essa primeira fase já foi completada para o povo de Israel:
  • A “voz” se cumpriu com a 1ª Grande Guerra, quando o movimento sionista cresceu e foi impulsionado a desejar a recuperação do território de Israel para nele formar e instalar a sua própria nação;
  • O “estremecimento” se deu com a 2ª Guerra Mundial, que montou o palco para que as nações do mundo votassem a favor do Estado de Israel. O resultado foi o primeiro rejuntamento mundial dos israelitas, em descrença, preparando-se para o julgamento da Grande Tribulação.
O segundo rejuntamento é descrito nos versículos 9 e 10, e envolve a entrada do fôlego da vida nos ossos, que então viveram, e se puseram em pé, um exército extremamente grande, em preparação para a bênção do Reino de Cristo.
No versículo 9 Ezequiel recebeu outra ordem: “Profetiza ao fôlego da vida... assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó fôlego da vida, e assopra sobre estes mortos, para que vivam”.
No versículo 10 lemos que assim fez Ezequiel, “o fôlego da vida entrou neles e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo.” Aqui a palavra hebraica "rauch" é traduzida como “vento” e “fôlego”. Essa palavra hebraica e suas duas traduções são encontradas na Bíblia como símbolos do Espírito Santo.
Seguindo a cronologia bíblica do futuro da humanidade, sabemos que brevemente o Senhor Jesus virá para buscar a Sua igreja, mortos ressuscitados e vivos transformados, compreendendo israelitas e gentios (1 Tessalonicenses 4:16-17), antes do “dia do Senhor”. Este terá início depois que o Anticristo for revelado (2 Tessalonicenses 2:3).
Retirada a igreja, que é templo do Espírito Santo, o cristianismo desaparecerá da terra (2 Tessalonicenses 2:7), dando início à tribulação de sete anos, com a Grande tribulação de Israel começando no meio. Entendemos que é nessa segunda parte da tribulação que se dará o cumprimento desta profecia.
Não se trata de uma ressurreição física, vejamos os fatos:
  1. Os ossos secos espalhados pelo vale representam a dispersão de Israel pelo mundo, espiritualmente mortos.
  2. Os ossos são toda a casa de Israel, não somente os justos (versículo 11).
  3. Os ossos são capazes de falar entre si, provando que estão fisicamente vivos.
  4. Israel é simbolizada como estando seca e inútil entre os gentios (versículos 12 a 14).
  5. Em nenhum lugar da Bíblia encontramos a ressurreição de uma pessoa sendo feita em estágios. Mas a restauração destes ossos é feita progressivamente.
  6. A Bíblia nunca fala de uma ressurreição física, geral, e simultânea de todos os mortos. Ela distingue claramente a ressurreição dos justos (vindo primeiro a chamada “primeira ressurreição” em grupos e em diferentes épocas, não sujeitos a julgamento – João 3:18) da ressurreição realizada mais tarde dos injustos (para estes serem julgados segundo as suas obras -  Apocalipse 20:6).
  7. O simbolismo é confirmado no contexto deste capítulo, onde encontramos outro símbolo, o das duas varas representando os reinos de Israel e Judá. A vivificação dos ossos não representa uma ressurreição física, mas simboliza a dispersão, rejuntamento e restauração da nação de Israel em sua própria terra. 
Entendida assim, compreendemos então que, por obra do Espírito Santo, a regeneração do povo de Israel será completada com a vida espiritual. A nação de Israel morreu, mas ressurgirá por obra do Espírito Santo.
Nos versículos 11 até 14 encontramos a interpretação dada por Deus, já incorporada no relato acima. Notamos aqui que a profecia foi dada em atendimento à queixa dos israelitas, que se encontravam espalhados no exílio, desanimados, sem esperança, de todo cortados. Deus irá:
  • Tirá-los das “sepulturas” em que se acham, como sinal de que Ele é o Senhor,
  • Trazê-los à sua terra e
  • Pôr neles o seu Espírito para saberem que Ele cumpre a sua Palavra.
Entendemos que durante o período da tribulação, depois do arrebatamento da igreja, haverá um grande movimento do Espírito Santo, levando muitos israelitas a se converterem e anunciarem o arrependimento e conversão a Deus através do mundo atribulado pela Sua ira, multidões atenderão à sua pregação e muitos serão martirizados (Apocalipse 7).
Como nação, Israel clamará a Deus quando sua terra estiver sendo invadida pelos exércitos do Anticristo, e então o Senhor Jesus voltará com os Seus santos e Seus anjos, livrando-os dos seus inimigos, e preparando o mundo para o Seu reino. Julgamos que esta profecia de Ezequiel se cumprirá pouco antes deste desfecho.

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