sábado, 29 de novembro de 2008

Quarenta e oito famílias cristãs correm risco de perder suas propriedades

Paquistão - A Autoridade de Desenvolvimento de Lahore (LDA) notificou cerca de 48 famílias cristãs em Lahore, no dia 28 de outubro de 2008, para deixarem suas casas no período de 72 horas (três dias). Até o momento desta publicação, nenhuma das famílias havia acatado a ordem.
O bairro será destruído a fim de abrir caminho para a duplicação da estrada principal, na cidade de Quid-e-Azam. Violando a lei dominante no Paquistão, entretanto, o governo não está oferecendo a essas famílias nenhuma compensação.
Mansha Bhagat,67, presidente do Masih Itehad do Paquistão (Unidade Cristã Paquistanesa), disse a à agência de notícias International Christian Concern (ICC): “Jamais permitiremos nossas casas sejam demolidas pela administração, uma vez que o governo local não nos trata como cidadãos, e que também não recebemos instalações básicas”.
Ele continua: “Nossos ancestrais se sacrificaram por nós e enfrentaram muitas dificuldades para construir esta colônia. Agora, nos é impossível deixar esse lugar para os criminosos.”
Mansha começou a chorar e disse: “Eu serei o primeiro a me colocar na frente dos tratores quando vierem demolir nossas casas.”
Ele pediu às autoridades que loteassem terrenos alternativos com instalações básicas, como compensação para todas as famílias afetadas.
Algumas mulheres na vizinhança começaram a chorar e a falar contra o governo, quando viram a mídia chegar. Elas exigiam compensação razoável por suas casas e um prazo realista para a mudança. Um grande número de pessoas já começou a se mudar para localidades vizinhas, com medo de perder tudo o que têm.
Uma viúva de 47 anos disse: “Eu comprei essa casa de dois cômodos há dois anos. Moro com os meus cinco filhos e não tenho nada a não ser essa propriedade. Eu lavo pratos e limpo casas para poder sustentar a casa e os estudos dos meus filhos. Isso é uma injustiça. O governo deveria atear fogo em nós em vez de demolir nossas casas.”
O correspondente do ICC viu várias pessoas empacotando e retirando seus pertences com lágrimas nos olhos e aparência abatida. Várias famílias levaram seus pertences para casas de parentes, mas estavam determinados a ficar em suas próprias casas, mesmo que isso significasse a morte.
Eles reclamaram que as crianças estão passando por severa ansiedade emocional e não podiam ir à escola. Três crianças se recusaram a falar com ICC e começaram a chorar, pensando que o correspondente era alguma autoridade que vinha demolir suas casas. O grupo de aproximadamente 70 pessoas anunciou que cometeriam suicídio coletivo se suas casas fossem demolidas.
Fonte: International Christian Concern

Novo ataque em Mosul causa a morte de duas irmãs

Iraque - Os cristãos de Mosul foram atacados novamente. Na semana passado, um grupo de homens armados invadiu uma casa na vizinhança de al-Qahira, onde mataram duas irmãs, no que se pode chamar de um assassinato intencional.
Após entrarem no prédio, os atiradores dispararam nas duas jovens a sangue frio e feriram sua mãe com uma faca. No momento, ela está no hospital, mas seu estado não é grave. O esposo e o filho conseguiram escapar no início do ataque.
As vítimas são Lamia Sobhy Salloha e Walaa Sobhy Salloha, ambas da Igreja Católica Síria de Mosul. As duas jovens trabalhavam na Secretaria do Tesouro do município de Wala.
De acordo com testemunhas oculares, o ataque foi executado por uma gangue de jovens entre 16 e 18 anos que, após atacarem os moradores da casa, colocaram uma bomba na entrada e a detonaram quando um grupo de agentes policiais chegou à cena do crime, matando dois e ferindo os demais.
Uma fonte disse à agência Asia News que “gangues de jovens de famílias pobres” estavam envolvidas no incidente, mas que, por detrás delas, há uma “organização criminosa” que está fazendo de tudo para expulsar os cristãos da cidade.
“Ela está no poder e no controle da próxima eleição para os governos regionais e da representação minoritária, que pode ser decisiva para o equilíbrio entre árabes e curdos”, disse a fonte.
Impelido pelas Nações Unidas, o governo prometera colocar o Artigo 50 de volta a um projeto de lei para garantir às minorias 15 assentos dos 440 (13 para os cristãos). Mas, em 3 de novembro, o Parlamento, sem considerar isso, aprovou o projeto que, posteriormente, recebeu a sanção necessária do Conselho da Presidência para se tornar lei com apenas um assento reservado para os cristãos de Mosul. Os líderes da Igreja do Iraque se ressentiram com a decisão do parlamento e criticaram veementemente a flagrante violação da constituição que deveria assegurar direitos iguais a todos os cidadãos.
“Não confiamos em ninguém. Tanto árabes quanto curdos prometem nos ajudar, mas não temos visto nada de concreto até agora”, disse a fonte à agência Asia News. Este ataque foi “outro alerta dado por aqueles que querem forçar os cristãos para as Planícies de Niniwa”.
Nos últimos dias, mais de 700 famílias decidiram voltar a Mosul após as autoridades terem prometido a elas maior proteção. Esse assassinato intencional “fará com que os cristãos fujam novamente”, e ameaças de novos ataques e violência continuarão a pairar sobre os poucos que permanecerem.
“É tudo um jogo político, mas são os cristãos que saem perdendo”, disse a fonte.
Este ataque é o mais recente de uma série de atos de violência contra a comunidade dos cristãos de Mosul que tem sido alvejada tanto por fundamentalistas islâmicos como por gangues armadas.
Desde o início de outubro, 16 pessoas morreram e 2 mil famílias (cerca de 12 mil pessoas) deixaram a cidade.
As coisas tinham começado a melhorar nos últimos dias, a partir da decisão de trazer de volta as 700 famílias. Entretanto, este último ataque lançará uma sombra ainda maior sobre o destino da comunidade cristã do Iraque.
Fonte: Asia News

Jornais mexicanos noticiam perseguição a evangélicos

À medida que o número de cristãos evangélicos tem crescido no sul do México, hostilidades de “católicos tradicionais” acompanham o ritmo, segundo matérias publicadas.
De acordo com as matérias, o comportamento predominante nas comunidades indígenas na região sul do México consiste em que apenas os seguidores do catolicismo tradicional (uma mescla de rituais nativos com o catolicismo romano) têm direitos a praticar sua religião.
As matérias também indicam que os moradores católicos tradicionalistas acreditam possuir o direito de forçar os outros a seguir sua religião.
Presos por não festejarem
No Estado de Oaxaca, quatro evangélicos foram presos em 16 de novembro no distrito de Ixtlan de Juarez. O crime foi não terem participado de uma festa católica tradicional e não pagarem as cotas que lhes foram designadas para cobrir os custos do festival, informou a agência de notícia La Voz.
Seus vizinhos, pouco menos que os180 evangélicos da cidade, têm tentado forçá-los a praticar o culto a santos e outros rituais contrários à fé evangélica.
Como resultado de tal pressão, de acordo com La Voz, os não-católicos da região, incluindo crianças, vivem sob o temor de serem expulsos de suas propriedades.
No município de Zinacantán, Chiapas, cinco evangélicos indígenas foram presos por 24 horas em 4 de novembro, por não aceitarem trabalhar nas festas tradicionais católicas, segundo a Confraternidade Nacional de Igrejas Cristãs Evangélicas. A prefeitura ordenou-lhes que abandonassem o protestantismo, ou “inventaria alguns crimes, pelos quais os acusaria e os prenderia”, segundo o jornal Expreso de Chiapas.
Também em Chiapas, Estado localizado no extremo sul do México, caciques (chefes políticos) negaram o direito de 24 famílias evangélicas a participar de programas sociais públicos, no município de San Andrés Larrainzar, segundo notícias. No dia 3 de novembro, os caciques decidiram multá-las em 3 mil pesos mexicanos (220 dólares) caso se recusem a contribuir com os festivais católicos, de acordo com o Expreso.
Os caciques também ameaçaram cortar o suprimento de energia elétrica e água dos evangélicos, informou o evangélico Pertenceu Vasquez ao jornal La Jornada.
Cortes e seqüestro
No mês passado, caciques forçaram famílias evangélicas da comunidade de Nicolás Ruiz, Chiapas, a assinar documentos comprometendo-os a realizar cultos apenas às quartas-feiras, sábados e domingos. A violação disso acarretaria em multas de até mil pesos mexicanos (74 dólares) por família. Sete famílias evangélicas já foram expulsas da cidade, deixando para trás todos os seus pertences e propriedade, e se refugiando no município de Acara, reportou o jornal Cuarto Poder.
No Estado de Guerrero, foi cortado o fornecimento de água e eletricidade a duas famílias evangélicas que se recusaram a participar de rituais religiosos do município de comunidades, publicou o La Jornada. As famílias são pressionadas a abandonar a fé desde 2006.
“Elas foram ameaçadas de enforcamento por causa de sua crença religiosa, caso não obedecessem às ordens das autoridades municipais”, informou Jorge Garcia Jimenez, do Foro Nacional de Advogados Cristãos, ao jornal Guerrero.
Como em outras partes do México, as autoridades em Olinala justificaram o fato de forçar os evangélicos a contribuir e a participar dos festivais com base em uma provisão constitucional, que protege “usos e costumes” das comunidades. Mas, elas violaram a liberdade religiosa também garantida na Constituição.
Advogados evangélicos dizem que a proteção de “usos e costumes” tem a finalidade de evitar que o governo proíba práticas nativas, e não de forçar os moradores a participar das mesmas.
Ameaças e corte de serviços básicos em Guerrero aconteceram logo após o seqüestro do filho adolescente de um proeminente pastor evangélico do mesmo Estado. Os seqüestradores claramente ignoraram o resgate pago pela família e mantiveram o garoto preso por dois meses. Perseguição também no norte
Até mesmo em Estados ao norte, como Hidalgo, um conflito de longa duração explodiu neste mês. Após anos de hostilidades entre católicos tradicionalistas e evangélicos, informou La Jornada, autoridades do município de Ixmiquilpan finalmente cederam aos protestantes a permissão para construir uma igreja.
Mas moradores – afirmando que construir sem = votação em assembléia local viola um acordo anterior –, fizeram com que os trabalhadores da construção parassem suas atividades no dia 7 de novembro. Autoridades tiveram de chamar a polícia estadual para evitar um violento confronto, e, desde então, não foi permitido construir mais.
O pastor e advogado Esdras Alonso González, de Chiapas, informou em uma coletiva de impressa nesta semana que casos de intolerância a evangélicos – todos autorizados e encorajados por autoridades locais – também acontecem no município de Zinacantán, e nas comunidades de Nachig, Pasté, Chiquinivalvó, Pestó e Buonchén, em Chiapas.
Em Pasté, afirmou, quatro famílias permanecem sem água desde o dia 14 de outubro por se recusarem a contribuir para os festivais tradicionalistas católicos, que freqüentemente envolvem a fabricação e venda de fortes bebidas alcoólicas.
“As autoridades de Zinacantán não estão fazendo nada para resolver o problema”, disse ele aos repórteres.
Fonte:Compass Direct/Portas Abertas

Guerrilhas continuam a fechar igrejas no sul da Colômbia

Neste último mês de setembro, uma equipe de pesquisa da Portas Abertas viajou para as áreas de Caquetá e Putumayo, na região sul da Colômbia, onde um grupo guerrilheiro obrigou o fechamento de mais de 20 igrejas.
Entrevistas foram feitas por sete dias com pastores e líderes da igreja em áreas onde a Portas Abertas não esteve presente previamente. Esses líderes falaram sobre a situação crítica que enfrentam os convertidos que vivem ao longo do rio Caquetá. O rio limita o contato entre as igrejas dessas duas regiões (Caquetá e Putumayo).
A guerrilha tem informantes vestidos com roupas civis, delatando qualquer atividade realizada em grupo, especialmente reuniões nas igrejas e entre convertidos.
Em novembro de 2007, a guerrilha ordenou o fechamento de igrejas localizadas na região sul de Caquetá e região norte de Putumayo.
Mas, foi apenas em abril de 2008 que ela começou a exigir que os pastores e líderes suspendessem os cultos nas igrejas e nas casas dos membros. As guerrilhas no interior da Colômbia temem que a Igreja e seus pastores convençam o povo e os próprios guerrilheiros a não apoiar a luta armada.
Os pastores entrevistados pela Portas Abertas disseram que as guerrilhas tem aumentado suas imposições sobre as igrejas, primariamente em vilarejos localizados ao longo do rio Caquetá.
Embora o Exército esteja presente em algumas áreas, ele é incapaz de deter as ações das guerrilhas, em parte porque a população local cresce acostumada a viver com soldados guerrilheiros e seus comandantes. Não é difícil encontrar mulheres e crianças cuja rotina diária inclui dar freqüentes relatórios às guerrilhas sobre quaisquer pessoas novas ou estranhas nos vilarejos. Eles também relatam qual a movimentação das forças do governo.
Em razão disso, a Igreja tem tido que se agir cautelosamente para não ser descoberta. Alguns líderes continuam se encontrando clandestinamente, porém outros não realizam reuniões nem mesmo em suas próprias casas. Todavia, cristãos têm a oportunidade de se encontrar em feiras, portos no rio e outras áreas públicas e, assim, fortalecer uns aos outros com um versículo compartilhado ou um texto retirado da Bíblia.
Apesar de 21 igrejas terem sido fechadas, apenas três pastores foram expulsos. Todos eles pastoreavam igrejas na região de Putumayo. O pastor da cidade de Gallinazo tinha uma igreja no município de Puerto Guzman; o pastor Moisés Martínez era responsável por uma igreja que atendia um grupo de vilarejos chamado José Maria; e o pastor Pedro Ascéncio era responsável por uma igreja em Guaduales.
O restante dos pastores que teve suas igrejas fechadas ainda permanece em suas casas e está buscando um trabalho diferente para sustentar sua família.
Durante a visita da Portas Abertas, foram distribuídas Bíblia para alguns pastores em localidades seguras para que, depois, eles pudessem entregá-las aos outros pastores que não tinham meios de chegar aos pontos de encontro.
A Portas Abertas planeja fornecer material didático do seminário Permanecendo Firme Através da Tempestade e estabelecer um treinamento.
Fonte: Portas Abertas
www.portasabertas.org.br

Nova onda de prisões afeta toda Eritréia

O governo eritreu deu início a uma nova onda de prisões contra cristãos evangélicos. Na foto ao lado alguns Pastores que foram presos.
De acordo com cristãos eritreus, a nova campanha começou na semana passada. Oficiais de segurança têm prendido membros de igrejas clandestinas. Seus nomes não foram divulgados por motivos de segurança.
Pelo menos 110 pessoas em toda a nação, exceto pela capital, Asmara, foram presas (até o fechamento desta matéria).
Nas cidades de Barentu e Dekemhare, foram presos 65 membros da igreja Kale Hiwot, 17 deles são mulheres. Nas cidades de Keren e Mendefera, 25 membros da Igreja do Evangelho Pleno foram detidos. A Igreja do Deus Vivo, nas cidades de Mendefera e Adi-Kuala, teve 20 de seus membros levados para a cadeia.
Fontes confiáveis disseram ser provável que as prisões continuem em todo o país.
Não ficou claro se os detidos serão levados ao novo campo de concentração militar de Mitire, no nordeste do país. Segundo o governo, o local é reservado para a punição de prisioneiros religiosos. Seja qual for o destino, as pessoas presas irão passar por situações extremamente árduas.
Segundo a agência de notícias Compass Direct, cerca de dois mil cristãos estão presos sob horríveis condições em delegacias de policiais, campos de treinamento militar e cadeias em toda a Eritréia.
Embora muitos estejam presos por meses e até anos, ninguém foi legalmente acusado, nem submetido a um processo judicial.
A atual situação teve início em maio de 2002, quando o governo eritreu fechou todas as igrejas e baniu as denominações que não operavam sob as Igrejas Ortodoxa, Católica, Luterana ou sob o islamismo. Todas as tentativas feitas por igrejas pentecostais de se registrar têm sido, até agora, inúteis.
Pedidos de oração:
• Ore por aqueles que estão presos, para que a presença e a paz de Deus sejam maiores do que todas as dificuldades. Que eles não sejam dominados pelo medo, mesmo quando sofrem maus-tratos.
• Em certa altura, os presos recebem a oportunidade de serem libertados, mas apenas se assinarem um documento no qual rejeita o cristianismo. Peça ao Senhor para ajudar esses irmãos a permanecerem perseverantes, e que, através de sua atitude, Deus fale aos seus perseguidores.
• Interceda por aqueles que têm padecido nas prisões há anos. Segundo dizem, eles não recebem comida, água e bebida o suficiente, e não existe saneamento básico. Além disso, eles nunca recebem primeiros-socorros nas doenças e ferimentos que sofrem. Peça a Deus para se mostrar soberano e presente aos Seus filhos.
• Ore pelos líderes evangélicos das igrejas em toda a Eritréia que não estão presos. Peça ao Senhor que lhes dê sabedoria para pastorear suas igrejas nestes tempos difíceis.
• Interceda pelo governo. Peça que o Santo Espírito mostre às autoridades que, um dia, elas se encontrarão faca-a-face com o Justo Juiz, de quem nada pode ser escondido.
Fonte: Portas Abertas
http://www.portasabertas.org.br/

sábado, 1 de novembro de 2008

Descoberta cidade que provaria existência do reino de Davi

Descoberta cidade que provaria existência do reino de Davi
Ethan Bronner
Em Khirbet Qeiyafa, Israel



No verdejante vale de Elah, onde a Bíblia diz que Davi derrotou Golias, arqueólogos estão escavando uma cidade fortificada de três mil anos de idade que pode mudar as idéias quanto ao período em Davi reinou sobre os israelitas. Cinco linhas inscritas em cerâmica, localizadas em Khirbet Qeiyafa, podem representar o mais antigo texto em hebraico já encontrado, e é provável que tenham forte impacto sobre a história da alfabetização e do desenvolvimento do alfabeto.
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O sítio arqueológico de dois hectares, com fortificações, casas e um portão de entrada dotado de múltiplas câmaras, também será uma arma no debate contencioso e muitas vezes politizado que tenta determinar se o rei Davi e sua capital, Jerusalém, representavam, um reino importante ou uma tribo menor, questão que divide não só os acadêmicos mas aqueles que querem defender ou contestar a legitimidade do sionismo.

Apenas uma pequena porção do sítio foi escavada, e as descobertas ainda não foram publicadas ou avaliadas publicamente. Mas a escavação, comandada por Yosef Garfinkel, da Universidade Hebraica de Jerusalém, já causa interesse entre seus colegas e entusiasmo entre aqueles que pretendem usar a Bíblia como guia histórico e confirmação de sua fé.

"Esse é um novo tipo de sítio que subitamente abre uma janela para uma área sobre a qual tínhamos muito pouco conhecimento, e requer que repensemos o que aconteceu no período", disse Aren Maeir, professor de arqueologia na Universidade Bar-Illan e diretor de uma importante escavação sobre os filisteus, perto de Khirbet Qeiyafa. "Não é uma descoberta corriqueira".

O século 10 a.C. é o período mais controverso na arqueologia bíblica, porque foi então, de acordo com o Velho Testamento, que Davi uniu os reinos de Judá e Israel, abrindo caminho para que seu filho Salomão construísse seu grande templo e reinasse sobre uma extensa área que se estendia do rio Nilo ao rio Eufrates.

Para muitos judeus e cristãos, até mesmo aqueles que não interpretam a Bíblia literalmente, as Escrituras são uma fonte histórica vital. E para o Estado de Israel, que se vê como retomada do Estado criado por Davi, provas de que os relatos bíblicos procedem têm imenso valor simbólico. O site do Ministério do Exterior israelense, por exemplo, descreve os reinos de Davi e Salomão, e oferece um mapa que mostra seu território, como se representassem um fato histórico.

Mas o histórico arqueológico desse reino é muito esparso ¿ de fato, quase inexistente -, e diversos estudiosos modernos argumentam que ele representa na verdade um mito criado séculos mais tarde. Uma grande potência, apontam, teria deixado sinais de cidades e atividade, e teria sido mencionada pelas culturas vizinhas. Mas nada parecido surgiu na área - ao menos até agora.

Garfinkel diz que tem em sua escavação algo que gerações de estudiosos procuraram. No mês passado, ele fez duas apresentações informais a colegas arqueólogos. Na quinta-feira, fará sua primeira palestra formal sobre o achado, em uma conferência em Jerusalém. O que ele descobriu até agora impressiona a muitos observadores. Dois caroços de azeitona queimados foram submetidos a testes de carbono-14 na Universidade de Oxford e foram datados de entre 1050 a.C. e 970 a.C., exatamente o período em que a maior parte das cronologias aponta para o reinado de Davi. Há outros dois caroços ainda a testar.

Um especialista em antigos idiomas semitas na Universidade Hebraica, Haggai Misgav, diz que a escrita na cerâmica, que usa carvão e gordura animal como tinta, foi feita com os caracteres conhecidos como proto-cananeus, e parece ser uma carta ou documento em hebraico, o que sugere que a alfabetização na época talvez estivesse mais difundida do que se supõe. Isso pode ter um papel a desempenhar em disputas mais amplas sobre a Bíblia, já que, se outros exemplos de escrita forem localizados, isso sugeriria um meio pelo qual eventos poderiam ter sido registrados e transmitidos pelos séculos, no período anterior àquele em que a Bíblia provavelmente foi escrita.

Outro motivo para que o local seja promissor é que ele esteve em uso por um período curto, talvez apenas 20 anos, e depois foi destruído - Garfinkel especula que em batalha com os filisteus -, e ficou abandonando por séculos, o que selou os achados com uma uniformidade semelhante à de Pompéia. A maioria dos sítios é composta por camadas de diferentes períodos, e é inevitável que haja combinação entre espécimes, tornando difícil datar precisamente os restos localizados.

Por exemplo, alguns anos atrás a arqueóloga Eilat Mazar descobriu no leste de Jerusalém um grande edifício público construído por volta do século 10 a.C., atribuído por ela à era de Davi; Mazar aventou a hipótese de que ele fosse o palácio do rei. Embora tenha encontrado cerâmica no local, esses artefatos estavam em um poço não selado, o que torna difícil determinar de que maneira eles devem ser relacionados à estrutura.

Ainda assim, está longe de claro que relação esse sítio tem ou não com o rei Davi e os israelitas. Garfinkel sugere que a escrita hebraica e a localização - uma colônia fortificada a cerca de dois dias de caminhada de Jerusalém - ajudam a sustentar a hipótese de que a capital era importante a ponto de requerer uma posição de defesa avançada como essa, especialmente porque ela ficaria entre a grande cidade filistina de Gath e Jerusalém.

"A fortificação requereu 200 mil toneladas de pedras e sua construção deve ter demorado 10 anos", ele disse, em uma caminhada pelo sítio em certa manhã recente. "Havia cerca de 500 pessoas em seu interior. O lugar em que estamos era a estrada principal para Jerusalém, um ponto estratégico importante para a defesa do reino de Jerusalém. Se eles construíram uma fortificação aqui, estamos falando de um verdadeiro reino, o que indica a presença de cidades urbanizadas e de uma autoridade centralizada no Judá do século 10 AC".

Mas outros estudiosos apontam que é cedo demais para extrair conclusões como essas. "O sítio certamente é importante, um dos pouquíssimos casos datados do século 10 em que se pode ver uma colônia fortificada em estilo típico dos métodos posteriormente empregados para a defesa de cidades israelitas e de Judá", afirmou Amihai Mazar, professor de arqueologia na Universidade Hebraica. "A questão é determinar quem a fortificou, quem vivia nela, por que ela foi abandonada e de que maneira isso tudo se relaciona aos reinados de Davi e de Salomão".

Os filisteus tinham um grande cidade, Gath, localizada a uma distância de cerca de 11 quilômetros, mas a cerâmica encontrada em escavações realizadas lá difere dos artefatos descobertos no sítio de Khirbet Qeiyafa, de acordo com Garfinkel. Ele afirma que a história de Davi e Golias talvez represente uma alegoria sobre uma batalha entre os dois Estados.

Seymour Gitin, arqueólogo e diretor do Instituto Albright em Jerusalém, uma instituição privada norte-americana, visitou o local e disse que "o verdadeiro valor é que isso prova a existência de um centro urbano no século 10. Pode-se extrapolar com base nisso e afirmar que é prova de que existiu um reino, uma monarquia unificada sob Davi e Salomão. As pessoas usarão o material encontrado no sítio em defesa dessa hipótese, e estão certas ao fazê-lo".

Isso já está acontecendo. O financiamento da escavação vem sendo administrado por uma organização chamada Foundation Stone, dirigida por David Willmer, israelense nascido em Los Angeles e hoje morador de Efrat, uma colônia judaica na Cisjordânia. Ele afirma que o objetivo de sua organização é "reforçar os elos entre o povo judaico e sua terra". O site do grupo informa que ele está "redesenhando o mapa da educação israelense" e que suas atividades envolvem "ancorar textos tradicionais com o uso de artefatos, mapas e locais que formam o contexto da identidade judaica".

Trata se uma abordagem quanto a desenterrar o passado da Terra que incomoda Israel Finkelstein, arqueólogo da Universidade de Tel Aviv e um dos mais céticos estudiosos quanto ao uso da Bíblia para estabelecer cronologias históricas. "Alguns de nós observam as coisas de maneira muito etnocêntrica ¿tudo tem de ser israelita ou judaíta", ele diz. "A História não funciona assim. Existiam outras entidades desempenhando papel forte na parte sul do país. E mesmo que o local tivesse pertencido a Jerusalém, ótimo. Então temos uma estrutura fortificada do final do século 10 a.C. lá. Não acredito que qualquer arqueólogo possa revolucionar toda a nossa compreensão de Judá e Jerusalém com base em um único sítio. As coisas não funcionam assim. Nossa disciplina avança cumulativamente".

E também sofre de sérias divisões. Finkelstein está entre os mais proeminentes advogados da escola conhecida como "baixa cronologia", ou seja, aqueles estudiosos que datam o reino de Davi como mais próximo do ano 900 a.C. do que do ano 1000 a.C.. Eles argumentam que o reino dele era uma entidade não muito significativa, e que uma geração posterior de israelitas, no século 7 a.C., decidiu transformá-lo em mito para servir a seus propósitos nacionalistas.

Ilan Sharon, especialista em análises de rádio-carbono na Universidade Hebraica, disse que outro problema era que "estamos trabalhando muito perto dos limites da precisão na mensuração", ao lidar com objetos como caroços de azeitona com idade de três mil anos. Ele acrescentou, em mensagem de e-mail, que "a expectativa é de que a medição esteja a 50 anos de distância da data correta mais ou menos dois terços do tempo, e que essa ordem de precisão seja de um século em 95% dos casos". Dada a dificuldade que existe para provar que objetos encontrados nas imediações dos itens testados vêm da mesma época, "é fácil perceber que a situação é uma espécie de pesadelo para um estatístico".

Ou, para definir a questão de outra maneira, basear a compreensão de toda uma História em dois caroços de azeitona ¿ ou mesmo quatro - é uma decisão arriscada. O que é necessário, ele afirma, são dezenas ou até mesmo centenas de amostras. Garfinkel não discute que isso é fato. E afirma que, com 96% de seu sítio ainda por escavar, espera que mais exemplos de escrita, mais caroços de azeitona e mais cerâmica sejam descobertos, o que serviria para aprofundar aquilo que ele já acredita ser uma descoberta revolucionária.

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